Paulo Silva
Facilitador de Desenvolvimento Humano | Coach | Trainer
Coordenador do JobLab – Programa de Aceleração para o Emprego
https://www.linkedin.com/in/lkdpsilva/

O conceito de “proposta de valor” está cada vez mais assumido no contexto dos negócios, entre outros aspetos, pelos contributos de Alexander Osterwalder, através dos trabalhos produzidos em torno da sua obra inicial “Business Model Generation”. Trata-se de centrar o negócio no impacto que tem para o cliente, no sentido de responder à pergunta: “porque é que este cliente compra o meu produto/ serviço em vez de comprar o da concorrência?”

Em colaboração com Osterwalder, Tim Clark aplicou o modelo à gestão pessoal da carreira, através da obra “Business Model You”. De modo semelhante aos negócios, pressupõe-se, então, que um candidato a emprego baseie a sua abordagem no valor que vai proporcionar ao contexto e menos na formação, certificados e experiências que possui. Em suma, a Proposta de Valor Pessoal indica os fatores que levam um potencial empregador a contratar uma pessoa em detrimento de outra.

Para ajudar a construir a proposta de valor, desenvolvemos a metodologia CRIAR, um acrónimo das diferentes componentes / etapas associadas a este processo.

 

 

Contexto

Se a proposta de valor indica o que conseguimos proporcionar a uma determinada organização / contexto, o primeiro passo é definir esse contexto. Esta etapa desenrola-se em duas fases: 1) Identificar o contexto no qual eu quero intervir profissionalmente; 2) Recolher e analisar informação sobre esse contexto. A primeira destas fases implica um nível profundo de autoconhecimento, nomeadamente no que se refere aos talentos, interesses e ao perfil comportamental. Algumas ferramentas podem ajudar neste processo, nomeadamente a DISC (para mais informação, consultar https://goo.gl/7bpC8W). Depois de identificar o contexto (tipo de organização e atividade profissional), é necessário recolher informação relevante sobre o mesmo.

Recursos

Esta etapa trata da identificação dos recursos que possuímos e que podem acrescentar valor ao mercado de trabalho. São, no fundo, os nossos conhecimentos, capacidades, atitudes, experiências, ou seja, as nossas competências. Tomar consciência plena dos recursos que possuímos é, em si mesmo, uma mais valia significativa para qualquer pessoa que está à procura de emprego, ou mesmo para quem já está no mercado de trabalho. Um coach de carreira pode apoiar muito este processo (para mais informação, consultar https://goo.gl/dKEuBr)

Interseção

Tal como a palavra indica, trata-se de estabelecer interseção entre os meus recursos e as necessidades do contexto. E se soubermos, em detalhe qual a missão e os resultados de uma determinada função à qual nos queremos candidatar, bem como as “dores” da empresa / organização (aspetos menos bem conseguidos, ou que preocupam a empresa), podemos relevar, ainda mais, os nossos recursos e estabelecer uma conexão mais profunda com o contexto.

Aplicação

Esta é a componente que trata da evidenciação dos nossos recursos. Se, por exemplo, eu refiro que sou focado em objetivos ou que tenho uma motivação intrínseca para alcançar objetivos, importa que apresente experiências e resultados que sustentam esta referência, como por exemplo “no segundo ano do curso fui o aluno com a média mais elevada e, em paralelo, corri a maratona”. É importante que esta componente seja acompanhada de experiências e resultados das mesmas, preferencialmente com números, uma vez que estes criam impacto.

Recursos +

Com base em todas as etapas anteriores, é possível tomar consciência da necessidade de recursos (competências) para o contexto, que ainda não possuímos, pelo que faz sentido definirmos um plano de ação para nos munirmos dos mesmos.

Conclusão

A aplicação desta metodologia ao longo da nossa carreira, quer estejamos integrados profissionalmente, quer em situação de transição de carreira, ajuda a clarificar o que pretendemos e, sobretudo, a preparar estratégias que promovam a nossa mais valia para o contexto profissional atual ou futuro.

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