Patrícia Sousa
Orientadora de Desenvolvimento Humano Integrado | Coach | Formadora
Especialista em Gestão de Carreira no JobLab
https://www.linkedin.com/in/patriciafmsousa

A ação de quem está à procura de emprego é marcada, não raras vezes, por um conjunto de padrões, ainda que inconscientes, que limitam o alcance dos resultados desejados, desencadeando estados de desmotivação. Vejamos alguns!

1. Se não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve!

Por vezes, no momento em que se inicia a procura de emprego, apenas as dúvidas estão presentes na nossa mente. O que fazer? Que caminho seguir? O que é que eu quero/gosto de fazer?

Na realidade, a resposta está em cada um! Cada um sabe quais são os seus interesses, os seus talentos e habilidades. Se ainda assim tem dúvidas, recorra a ferramentas de avaliação comportamental para o apoiar neste processo de autoconhecimento. Com esta descoberta realizada é mais fácil definir o caminho e tomar a direção que deseja.

2. Estar disponível para fazer qualquer coisa. Ir a todas!

A ânsia de integrar uma atividade profissional, aliada à exaustão da procura de emprego, leva a que se realizem candidaturas de forma desenfreada, isto é, sem qualquer alinhamento com os seus interesses, competências e habilidades.

O foco, advindo da definição de objetivos realistas, exequíveis, mensuráveis, inspiradores e definidos no tempo, potencia o alcance do estado desejado

Defina um objetivo concreto, pois para onde vai a nossa atenção a energia flui!

3. Ter um círculo de influência castrador!

Como se não bastassem as sensações menos positivas geradas pela situação de desemprego, em determinadas situações acrescem as “dicas” daqueles que integram o nosso círculo de influência: “faz assim…”, “vai para isto…”, “tira este curso”, “segue isto porque é o que está a dar…”.

Ainda que desejem o melhor para nós, por vezes, é necessário criar uma barreira quanto à sua interferência no nosso caminho, nas nossas escolhas. Quem está em melhor posição de saber o que é desejável para nós, somos nós mesmos. No entanto, lembre-se de fazer a já referida autodescoberta para, realmente, saber onde quer chegar.

4. Centrar-se no que não tem em detrimento do que tem!

Não raras vezes, olhamos para o lado e pensamos “aquele é que teve sorte, conseguiu o emprego que queria!”. Será que “aquele” teve sorte ou será que está a centrar-se mais nos recursos que não tem em detrimento dos que tem?

Os resultados positivos provêm de atitudes positivas! É importante saber quais as competências que o diferenciam no mercado, e tirar proveito das mesmas. Na hora de procurar emprego, coloque em evidência aquilo que o diferencia dos restantes candidatos.

Centre-se no caminho de recursos e aprenda a valorizar as suas competências, habilidades e interesses e aí a sorte estará do seu lado!

5. Render-se à sua área de formação/experiência

Em determinados momentos, assumimos que o que nos define é a nossa formação de base ou o percurso profissional feito até ao momento, acreditando, ainda que inconscientemente, que “só sei fazer isto, mais nada!”

E onde ficam todas as competências, saberes e habilidades que são parte integrante do nosso ser, das nossas experiências fora do contexto profissional? Essas competências, designadas de competências transversais (comunicação; relacionamento interpessoal; liderança; criatividade…), assumem um importante e diferenciador papel na procura de emprego. São elas que, num momento de indecisão, irão determinar qual o candidato eleito.

6. Ter um CV único!

Chegamos ao padrão que mais se repete junto das pessoas que ainda estão à procura de emprego: a existência de um CV único, independentemente da atividade profissional e/ou contexto para o qual se estão a candidatar. Não obstante, a própria candidatura é formalizada em simultâneo para diferentes empresas com conhecimento das mesmas.

Qual o impacto que isto terá junto de quem recebe a candidatura? Na verdade, a haver impacto, será pouco positivo!

Da mesma maneira que a montra de uma loja capta o seu interesse para entrar ou não, o seu CV deverá captar a atenção/interesse do recrutador para o contactar. Isto acontece no momento em que adapta o seu CV (estrutura, imagem, formato…) ao contexto para o qual se está a candidatar, criando ligação (rapport) com o recrutador.

7. Pensar que a internet é para miúdos!

Naturalmente, associamos a internet aos mais jovens, ou, quanto muito, às redes sociais e esquecemos que também ela pode funcionar como uma “montra digital”.

É importante que também esta “montra digital” reflita o valor que tem a oferecer ao mercado. Este valor poderá ser demonstrado pela criação do seu perfil profissional na rede social Linkedin e este ser enriquecido, para além da informação base, por artigos publicados e até mesmo por vídeos de trabalhos práticos ou apresentações que já realizou.

8. Assumir que as oportunidades de emprego são as ofertas disponibilizadas!

Damos como garantido que apenas as publicações de ofertas de emprego geram oportunidades de (re)ingressar no mercado de trabalho. Como diz o ditado “ver para crer”! E se primeiro acreditar para depois ver?

Existem oportunidades que surgem de forma inesperada e com necessidades imediatas. Perante estas situações, as empresas recorrem, habitualmente, à “pool” de candidaturas rececionadas em ofertas anteriores, bem como, aos seus colaboradores, no sentido de aferir se conhecem alguém da sua rede de contactos que cumpra o perfil para determinada função.

O mercado é volátil e, como tal, as oportunidades espreitam a qualquer momento, em qualquer lugar, desde que tenha uma atitude proactiva (candidatura espontânea) e dê a conhecer à sua rede (família, amigos…) quais as oportunidades que se enquadram nos seus interesses.

9. Assumir que as entrevistas de emprego acontecem num dia e local definidos!

É assumido como uma realidade absoluta que as entrevistas de emprego têm data, local e hora definidos, descurando-se o conjunto de possibilidades/oportunidades que decorrem das nossas atividades/vivências quotidianas.

Imagine que partilha o mesmo prédio que o responsável de uma empresa pelo qual tem interesse. Os diferentes momentos em que se cruzam podem ser potenciadores de uma oportunidade de emprego. Numa dessas conversas informais, pode dar-se a conhecer e partilhar o seu interesse em integrar a sua equipa de trabalho.

Todavia, convém que nesses momentos tenha uma postura e um discurso estruturado, coerente, sustentado e breve, podendo aplicar a técnica designada de pitch, que desperte  o interesse de quem o está a ouvir.

10. Utilizar uma linguagem derrotista!

A linguagem assume um importante papel em todo o processo de procura de emprego. Contudo, na maior parte das vezes, ainda que involuntariamente, não é levada em consideração.

O processo de linguagem tem início no momento em que pensamos. Se logo aí nos vem à cabeça “não consigo; não sou capaz; não sei; isto não é para mim, eu até me candidatava mas…”, este discurso interno vai influenciar o nosso comportamento mais visível ao outro. Automaticamente, vamos passar a mensagem de que “não conseguimos; não somos capazes; não sabemos…” e efetivamente o que pensamos acaba por se realizar.

Um discurso interno positivo, reflete-se em ações confiantes, levando ao alcance de resultados positivos.

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